Matanza
Author: Alex Beserra

O assunto por aqui dessa vez é música para beber e brigar. Sim, é aquela banda que você está pensando, daqueles caras que só falam de cerveja, mulher e porrada e tem aquele tal de "gigante irlandês" no vocal.
Esse é o Matanza, banda de rock do Rio de Janeiro que conta atualmente com Jonas na bateria, China no baixo, Donida na guitarra e Jimmy no vocal. De 2001 pra cá, lançaram os quatro discos da carreira pela gravadora Deckdisc, sempre com Rafael Ramos na produção. Além de um CD/DVD ao vivo, o MTV Apresenta Matanza, lançado há 8 meses.
A banda é conhecida por fazer o dito "rock pra macho". São conhecidos pela fusão do hardcore com o country, gênero que eles mesmos são pioneiros. O Matanza tem Johnny Cash como a maior referência musical, e segundo eles se não existisse Johnny Cash não existiria Matanza. Dentre outras influências da banda estão Slayer, Shane Macgowan e Reverend Horton Heat.
Desde o lançamento de A Arte do Insulto (2006), último cd de estúdio do Matanza, a banda não teve descanso. Em 2007 fizeram uma turnê de aproximadamente 90 shows por todo o país, inclusive a abertura do show do Motörhead, em São Paulo. Essa turnê teve como resultado a gravação do DVD ao vivo, que rolou em dezembro de 2007 no Hangar 110. Em abril de 2008 o DVD foi lançado, e a banda fez mais uma extensa turnê pelo Brasil, da qual já está estendida para o ano que vem.
Com tanto trabalho, o Matanza se firma como uma das maiores bandas de Rock brasileiro na atualidade. Com muita originalidade e atitude, fazendo a diversão dos amantes do rock n' roll pelos quatro cantos do Brasil.
Jimmy, vocalista do Matanza, concedeu-nos esta entrevista exclusiva, falando sobre o sucesso da banda, a maratona de shows durante a turnê, entre outros assuntos:
Quais os pontos negativos e positivos de uma turnê de 2 anos por todo o Brasil, sem intervalo?
Que cansa pra caralho, não é preciso ser nenhum gênio pra saber. Mas o show melhora muito, como um time de futebol que joga junto direto... Acordar sem saber onde estou também não me incomoda, mas carregar roupa imunda por 2 anos na mala é uma merda.
Na sua opinião, qual foi o grande fator que levou o Matanza ao sucesso atual?
Na minha humilde opinião, não há um sucesso atual, e sim o resultado de todos os anos de trabalho do Matanza. Isso nos trouxe aonde estamos, seja lá onde for isso.
O Matanza atingiu um público voltado para o Rock em geral, e não necessariamente o público da mídia. Com isso, vocês consideram a MTV e as rádios extremamente importantes para a banda?
As rádios que nunca nos tocaram foram fundamentais pra entendermos como teríamos que trabalhar. Nós contra todos, e contando somente com nossa música e nossos esforços.
Quais bandas do Rock brasileiro atual vocês estão ouvindo?
Canastra, Monstros do Ula Ula, Enterro e sempre Krisiun e Ratos de Porão.
Os festivais de Rock com várias atrações fazem com que cada banda tenha pouco tempo de apresentação e nem sempre o público do festival é o
público da banda. Vocês gostam de tocar nesses festivais, como o Maquinária e o Rock Humanitário?
Os festivais sempre são mais bagunçados, porém com boas estruturas... É como uma churrascaria, maior bagunça rolando, mas passam altas picanhas...
Tocar no exterior é um sonho para o Matanza. Vocês acham que agora é o melhor momento pra isso?
Quem disse que é?
Vocês acreditam que futuramente existirão bandas que seguirão o countrycore que o Matanza inventou?
Acho que já existem. Sei pelo menos de uma, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
Sobre as letras das músicas, de onde vem tanta inspiração para compô-las?
Isso só quem pode responder, por enquanto, é o Donida.
E sobre o futuro da banda, já estão trabalhando em novas músicas para um próximo disco?
O futuro a Satã pertence, meu amigo... Até lá, vamos nos divertindo.
Links:
Site oficial
http://www.matanza.com.br/
Myspace
http://www.myspace.com/matanzacountrycore
Claustrofobia e Instant Hate
Author: Alex Beserra

No último sábado, dia 08/11/2008, Carapicuiba recebeu um dos maiores nomes do Metal brasileiro atual: Claustrofobia. O show foi realizado na Toca da Baleia, uma nova casa de shows na cidade.
A primeira banda a se apresentar foi o Hate Again. Formada há 4 meses, era o primeiro show dos caras. Uma banda de metal que apresentou um repertório variado entre covers e músicas próprias.
A segunda banda da noite foi o Instant Hate, que fez um show digno de uma grande banda de thrash metal que terá uma carreira muito promissora pela frente. O quinteto de Carapicuiba, que está na ativa desde 2005, já é bem conhecido na cena independente local. Estavam em casa e fizeram um show alucinante, mostrando um trabalho próprio com uma sonoridade muito agressiva e uma presença de palco muito marcante que agitou a galera presente.
E pra fechar a noite, lá estava a principal atração da noite. Como era de se esperar, o Claustrofobia subiu ao palco e mostrou porque é uma das maiores bandas de thrash metal do Brasil. A banda tocou músicas de todos os discos, algumas novas que estarão no próximo cd que em breve será lançado, e uma cover da música da "Filho da Puta" do Ultraje A Rigor, da qual eles vem tocando nos últimos shows e foi regravada e divulgada
no Myspace oficial.
Quase no final do show, Marcão (vocalista e guitarrista do Claustrofobia) fez uma singela homenagem à banda Infector Cell, levantando uma camiseta da banda, gesto que arrancou aplausos do público. O Infector Cell também seria uma das bandas de abertura do show, mas infelizmente o irmão do baixista faleceu pela manhã do mesmo dia e a apresentação da banda foi cancelada. O Hate Again e o Instant Hate também lembraram do triste acontecimento e fizeram um discurso de homenagem e solidariedade à banda.
Após o show, o frontman do Claustrofobia Marcão nos concedeu essa entrevista, falando sobre a turnê européia, novidades da banda e outros assuntos relacionados ao Claustrofobia:
Nós ficamos cerca de 2 anos batalhando pra concretizar o plano de sair do país e fazer uma coisa legal, sem entrar numa roubada pra não prejudicar o nome da banda, porque nós estamos há muito tempo juntos e tinhamos que colocar o pé no chão e saber da nossa realidade. Ficamos lá por 4 meses, fizemos 25 shows, o que é pouco se levar em consideração o tempo que ficamos por lá. Mas o objetivo dessa turnê, além de tocar, era aprender e viver um pouco no meio da cena do Metal. Não houve ambição, foi mais por aprendizado mesmo, conviver com pessoas de outros países, conhecer novas culturas, ver como as coisas funcionam por lá, o que é bem diferente do Brasil, e cada lugar que você vai é diferente...Enfim, essa primeira turnê fora do Brasil foi muito importante, também pelo lado comercial e também pra gente ter mais contatos. Ano que vem estaremos lá novamente, de um jeito mais profissional, mais direto, mais rápido e com um significado maior.
Com o sucesso do Sepultura no exterior, os gringos vêem as bandas de thrash metal brasileiras de uma maneira diferente? Há um impacto maior?
O Sepultura é um fenômeno, é uma banda que começou na humildade e nenhuma outra banda brasileira conseguirá o que eles conseguiram. Ninguém nunca vai ser igual ao Sepultura. Os caras chegaram aonde chegaram e além do reconhecimento que ganharam estão do lado de nomes como Metallica, Slayer e Pantera...Não é qualquer um, sabe? Talvez nem eles mesmo consigam voltar àquele patamar, porque é uma coisa única. Em qualquer lugar do mundo que você vai, quando as pessoas lembram de Brasil, falam de Ayrton Senna, Pelé e Sepultura. Então quando chega uma banda brasileira, os caras tem uma curiosidade. Mesmo que muitos brasileiros queimem o filme e muita banda de merda vai lá, os gringos dão uma atenção maior às bandas do Brasil. Aí vai de cada um representar com dignidade o que o Sepultura ensinou pra nós.
No geral headbanger é tudo igual, no mundo inteiro rola uma identificação semelhante. Apesar da cultura, que é diferente, a paixão pelo som é a mesma. Particularmente nós que somos brasileiros, adoramos tocar no nosso país porque o público do Brasil é realmente muito foda, sabe? Mas lá também é muito bom. Às vezes você tocar num lugar que a galera não agita, mas você vê todo mundo prestando atenção no som e apreciando cada nota que você toca na sua guitarra, prestando atenção no batera, no vocal...Então rola um reconhecimento, sabe? Tá certo que cada país tem uma situação diferente, um governo ou uma economia...Mas quando há uma identificação entre banda e público, não há diferença. A paixão é igual.
O Claustrofobia regravou "Filho da puta" do Ultraje A Rigor, divulgou no Myspace e agora estão tocando essa música nos shows. Como surgiu essa idéia?
Então cara, além da letra ser do caralho eu escuto essa música desde quando eu era pequeno. Eu tinha uns 8 anos de idade, ouvia essa música e adorava. E ela sempre marcou a minha vida, ficou na minha cabeça, e conforme os acontecimentos eu nunca esqueci dessa música. Comecei a ouvi-la de novo, vi que era uma música de rock n' roll, o Ultraje sempre foi uma banda inteligente que fez umas letras na ironia, mas sempre falando verdades e com muita inteligência, entendeu? E é uma banda de rock n' roll, o Roger é um cara muito inteligente e a letra dessa música continua representando a nossa realidade. "Morar nesse país é como ter a mãe na zona"...É uma zona essa porra, tá ligado? Está cada vez pior! O que vale nessa porra aqui são as amizades, a camaradagem, é tocar, entendeu? Enfim, é uma puta letra, a música é muito legal e é isso! A gente gosta é de música!
Você fez uma paticipação no vocal da música "Desordem" , da banda de thrash metal Caoscentria. Qual a sua relação com a banda?
Já faz um tempinho que rolou essa participação. Essa banda é de Embu Guaçu e nós fizemos alguns shows com eles num lugar perto do Guarapiranga, eles tocavam lá e mandavam bem pra caramba, uns moleques maloqueiros... A gente gosta de valorizar essas bandas que tocam com tesão e simplesmente por amor à música, entendeu? E os caras eram gente boa, agitou um show pra nós, sempre colava com a gente, trabalhou com a gente num show em Ribeirão Preto. Aí eles me chamaram pra cantar e eu vou com prazer quando eu vejo uns moleques que tocam legal, gostam de um som de atitude...a gente vai lá e é nóis!

Foi loucura! Festival é sempre uma loucura! Muitas bandas tocando, uma atrás da outra, confusão, desorganização, organização...Mas o Claustrofobia é sempre assim, aonde a gente vai as coisas são meio complicadas, nunca acontece tudo tão fácil, né? Por isso a gente dá valor à todas as coisas que a gente fez ao longo desses anos. Esse festival só serviu pra gente gostar mais do Rio de Janeiro. A gente nunca tinha tocado lá e o nosso primeiro show no Rio foi esse ano, a gente tocou em São Gonçalo e depois na capital, que foi um festival que o Rio Metal Works organizou. Gostaria até de aproveitar a oportunidade pra agradecer ao Felipe, aos caras do Rio Metal Works, eles tem um site que é o www.riometalworks.net, fizeram tudo 100%, tocamos com as bandas do Rio, o público de lá nos tratou muito bem. E nós que somos de São Paulo, todo mundo fala que rola uma rinchinha entre paulistas e cariocas e com a gente não rolou porra nenhuma. Nós somos amigos de todo mundo e fazemos o nosso trabalho da mesma maneira em qualquer lugar. E o show de Cabo Frio serviu para coroar a situação, uma cidade bonita, um festival fudido... Tocamos com o Krisiun, Ratos de Porão, Confronto, Calibre 12, só banda fudida, mano! Aí é alegria pra nós!
Dos 3 discos lançados pelo Claustrofobia, você tem algum favorito?
Cara, é uma pergunta muito difícil de responder [risos] porque de início você gosta do mais recente, mas depois com o tempo você analisa melhor e vê qual foi o mais fiel e verdadeiro, sabe?
Não que a gente foi falso a ponto de não fazer algo que tenha sido do coração, mas acho que depende do momento. Hoje, o cd mais regular e que eu acho que a galera curte mais é o Thrasher, porém muita gente gosta mais do primeiro e muita gente gosta mais do último, mas o próximo é o que eu mais vou gostar.E sobre o novo cd, quais novidades você pode adiantar? O que os fãs podem esperar dessa vez?
Então, a gente ainda não tem nada concreto, mas ele já está gravado. Estamos nos agilizando, programando uma turnê internacional, como eu disse antes. Eu não quero pegar esse cd e jogar na mão de qualquer um, sabe? Quero que ele tenha uma dignidade só pelo fato de a gente ter feito esse trabalho de coração. Nós estamos vivendo atualmente a melhor fase da banda e a fase mais crítica, então com certeza o cd vai ser forte. Na hora certa ele virá e todo mundo vai ouvir.
Depois da entrevista com Marcão foi a vez de bater um papo com Caio, baterista do Claustrofobia, junto com Bruno Rivitti, guitarrista do Instant Hate:
Qual a importância de abrir pro Claustrofobia, uma banda tão influente pra vocês e um dos maiores representantes do thrash metal nacional?

Hoje foi uma dia muito especial pro Instant Hate, por abrir o show do Claustrofobia. Você lembra de algum show muito marcante na carreira do Claustrofobia, alguma abertura de banda que vocês admiravam?
Caio: Tivemos várias. Quando eu era moleque eu tinha o sonho de tocar com o Sepultura, e nós tocamos. Tocamos com o Napalm Death e foi muito marcante também. Pra mim, pessoalmente,
dividir o palco o Sepultura foi um sonho realizado, o Sepulfest foi animal, e sem dúvida foi o que mais marcou. Mas no geral fizemos outros muito importantes também, com o Napalm, com o Destruction...Enfim, tocar com essas bandas é, além de uma experiência a mais, um sonho que você realiza.Tem um assunto meio polêmico, sobre as pessoas que relacionam o thrash metal com o satanismo. Você acha que essa nova geração, como o Claustrofobia, tem uma temática de letra mais voltada à questões sociais, sobre o mundo de uma forma geral?
Caio: Bom, eu acho que cada banda tem seus integrantes e cada um tem a sua cabeça, sua forma de pensar e sua ideologia. Eu não sou contra nada, acho que cada um pode falar o que quiser. Mas acredito que hoje em dia tende um pouco mais ao protesto, por causa das coisas que estão aconecendo no mundo e que nós estamos vendo, então a gente se revolta e começa a escrever letras em relação à isso. Mas o lance do satanismo vai da ideologia de cada um, sabe? No nosso caso não é essa a temática, e acho que a tendência é aumentar o foco em questões sociais, pelo que o mundo está vivendo, né?
Rivitti: Assim, eu nunca fui muito fã dessas coisas satanistas, embora eu goste de muitas bandas que tem essa ideologia, por exemplo o Slayer, banda que influenciou todas as bandas. Mas eu acho que isso foi uma fase, acredito que a nova fase do thrash metal e até de outras variações do metal deixou isso para trás. É uma coisa que em alguns casos soa legal, mas já é uma coisa meio repetitiva. E às vezes tem um integrante de uma banda que tem uma religião diferente dos outros da banda, então eu acho errado uma banda toda seguir uma linha. Se toda banda acredita em uma determinada temática, tudo bem. Agora com um integrante que acredita em uma temática diferente, acredito que foge do padrão.

Links
Monaural
Author: Alex BeserraA banda fez o lançamento virtual do primeiro album da carreira há pouco mais de um mês, entitulado "Expurgo". A produção do trabalho começou no segundo semestre de 2007 e contou com a ajuda de Davi Rodriguez (Ecos Falsos), e Clayton Martin (Detetives/Cidadão Instigado). O
disco já está disponível para download na internet, mas em breve ele será lançado em formato físico também. O desenho da capa do cd (imagem que abre esse post) foi feito por Marcatti, desenhista que também já trabalhou em algumas capas da consagrada banda Ratos de Porão.O Monaural começou suas atividades em 2003. De lá pra cá, a banda lançou o EP "Monaural" (2003) e os singles "Farsa" (2005) e "Acaba logo com isso" (2008), além de uma coletânea de B-Sides lançada este ano, com um material feito de 2005 à 2007. Nos primeiros trabalhos do Monaural é possível notar uma influência muito declarada de Nirvana, embora atualmente o trio vem explorando novas caracteírsticas com diferentes influências, como Queens Of The Stone Age, Foo Fighters e Smashing Pumpkins. "Expurgo" é o retrato dessa mudança, mas a tal "massa sonora gorda e suja passando por um cano estreito de esgoto" ainda está presente com toda força. O novo trabalho do Monaural nos faz chegar a uma conclusão que a própria banda anuncia: "Tudo se restringe a som e fúria!"

Desde o fim de 2007 vocês entraram em estúdio para a gravação do disco, e só agora o album foi lançado. Quais os pontos negativos e positivos com relação a esse longo período de espera?A gente ficou com o album pronto desde o começo desse ano, trabalhamos bastante nele na última metade de 2007. Tínhamos um suposto selo fechado para o lançamento, no qual tinha previsão para o primeiro semestre de 2008 e "supostamente" ficou no esquecimento ou sei lá o quê. Isso tudo cooperou muito com essa demora, daí chegamos na conclusão de lançar virtual, antes tarde do que nunca.
Quando e como surgiu a idéia de trabalhar com Davi Rodriguez e Clayton Martin na produção do disco?
Conheci o Davi num show do Monaural em meados de 2006. Tínhamos tocado num bar da Vila Madalena, chamado Vila Rock. Ele tinha fotografado o show e gostou da apresentação. Conversamos um pouco sobre a sua idéia de produzir uma banda e acabamos virando amigos. Depois de várias conversas de bar acabamos decidindo as coisas que faríamos no disco, e uma delas era gravar com o Clayton, certamente a melhor escolha a ser feita.
Conte sobre a importância do lançamento do single "Acaba Logo Com Isso" para o Monaural. Você acredita ter sido o momento mais importante da banda até agora?
Precisávamos lançar alguma coisa nova, ainda mais pela demora do lançamento de Expurgo. Tinha muita gente querendo ouvir algo novo da banda, então resolvemos lançar esse single em uma quantidade limitada só para dar aquela esquentada no clima e funcionou muito bem. A aceitação do público foi interessante e nos deu tempo para pensar no que fazer com o disco. Acho que o momento mais importante da banda ainda está para acontecer, mesmo tendo consciência do tamanho do passo que já demos.
Há dois meses o Monaural mudou a formação, entrando o baixista Guilherme Maia no lugar
de Gualter. Poderia contar-nos o motivo dessa mudança? Eu e Gualter nunca nos demos bem, e mantínhamos uma relação restrita somente por tocarmos na mesma banda, e isso nos limitava bastante chegando num limite insuportável. Isso já estava atrapalhando o andamento da banda e ele "resolveu" sair. Agora o Guilherme está conosco, demonstrando ser um cara mais acessível e mais aberto a se relacionar com a gente. Quebrando todo aquele clima ruim que pairava sobre a banda.
Provavelmente você tem conhecimento sobre um assunto, que tem gerado polêmica, essa coisa de bandas que precisam vender ingressos para tocar em festivais. Alguns acreditam tratar-se de uma manipulação dos donos de casas de shows e produtores de evento. Qual sua opinião sobre esse assunto e o que você sugere às bandas que estão começando?
Acho que isso é uma forma descarada de exploração! Sempre que recebo convites desse calão, faço questão de responder a altura. Sugiro que as bandas valorizem seu trabalho e mostrem pra esses caras que isso é errado e que se eles querem ganhar dinheiro com música, que seja honestamente, e não explorando novos artistas! Eu costumo ser bem mal educado com eles. Isso é bom pois eles tendem a não me incomodar mais.
Você já citou em outras ocasiões as bandas que influenciam o Monaural, a maioria delas da cena de Seattle. Vocês também tem influências de bandas brasileiras, na sonoridade ou na temática das letras?
Sim, temos. Quando você passa a fazer parte de uma cena, automaticamente você se depara com diversas bandas e isso certamente acaba te influenciando mais sonoricamente do que qualquer outra coisa. Acredito que minha forma de escrever é algo que desenvolvi sozinho. Não fico prestando muito atenção como as outras bandas fazem. Eu tento fazer do meu jeito, prefiro assim. Ainda leio "Augusto dos Anjos", ele me ajuda bastante.

Antes do Monaural, você esteve em dois projetos musicais: "Bionic Shoes" e "Estéreo". O que foram esses projetos?
Foram minhas primeiras bandas de Rock. "Bionic Shoes" começou em 1997 e passou a se chamar "Estéreo" em meados de 1998, encerrando as atividades em 1999. Certamente elas são consequência do surgimento do Monaural.
Os músicos grunges no Brasil geralmente optam por montar covers de bandas da cena, mas aos poucos essa idéia está se apagando e o Monaural é um dos exemplos de banda grunge que procura fazer seu próprio trabalho. Com isso, você acredita num possível reconhecimento da cena grunge brasileira por parte da MTV e das rádios?
Não acredito que exista uma cena grunge brasileira, e sim bandas que se influenciaram pelo som de Seattle. A gente apenas decidiu fazer nosso próprio som, era mais legal criar do que ficar vivendo uma ilusão...Eu acredito no reconhecimento sim, mas acho que isso depende muito do que cada banda busca e aonde ela quer chegar com seu som.
Até o momento, a crítica e o reconhecimento do album recém-lançado superou suas expectativas?
Está fluindo bem, mas o album ainda não repercurtiu o suficiente. A internet é uma ótima ferramenta mas se você não tiver tempo para usá-la acaba meio que dando na mesma. Estamos deixando o boca-a-boca fazer isso pela gente. Logo mais vamos começar a fazer shows de lançamento do album, daí sim acho que as expectaivas serão superadas!

Monaural:
Leandro Ayuso - voz e guitarra
Guilherme Maia - baixo e voz
Herik Soares - bateria
Links:
MySpace: www.myspace.com/monaural
Comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#UniversalSearch.aspx?searchFor=C&q=monaural
Skore
Author: Alex Beserra
Desde dezembro de 2007 o Skore está trabalhando em estúdio para gravar seu primeiro álbum, que será lançado muito em breve. A produção está por conta de Alexandre Griva, gravado no "Melhor do Mundo Estudios", pelo selo Onelife.
Do Rio de Janeiro, a banda é formada por Belém (vocal), Dek (teclado, sintetizadores e vocal), Pv (guitarra), Castilho (guitarra e vocal), Hugo (baixo) e Thitx (bateria). No início da carreira o Skore fazia composições em inglês, das quais geraram as demos To All The Assholes (2000) e Things Of Love (2001). Em 2002, já cantando em português, foi a vez da demo Más Notícias, gravado em formato de cd pelo selo Gepeto Records. No ano seguinte a banda obteve um reconhecimento maior, fizeram mais shows e começaram a tocar fora do Rio, com uma demo gravada ao vivo. Em 2005 os cariocas receberam muitos elogios com novas músicas que foram divulgadas na internet. O último registro da banda foi um EP, lançado em 2006.
Nesses oito anos de estrada, várias mudanças ocorreram na formação do Skore. Só em dois anos, cinco bateristas assumiram as baquetas do grupo. Surpreendentemente eles resistiram e continuam em atividade, agora é apenas o primeiro disco que está por vir. Castilho e Dek falaram um pouco mais sobre a banda em entrevista ao Sub-Rock.
Sub-Rock: "Ex-namoradas, filmes e séries de TV, Winning Eleven, pizza com cerveja, hip-hop e torcida para o Flamengo, tudo misturado. Agora imagine isso em um cemitério". O que representa esse 'cartão de visita' do Skore?
Castilho: [risos] Bom, nossas músicas falam sobre ex-namoradas, filmes e séries de TV, nós gostamos de jogar Winning Eleven e comer pizza, vamos à festas e dançamos Hip Hop, fazemos parte de uma torcida do Flamengo (Flarock), e o Skore tem um clima meio cemitério, porque a banda já devia ter acabado há uns cinco anos, mas nos mativemos vivos, ou mortos vivos! [risos] Mentira! Não sei porque tem cemitério o Dek quem escreveu. Acho que é porque nossas músicas sempre falam de coisas relacionadas à morte ou coisas negativas, o que demonstra exatamente o que não somos. Mas esse cartão de visita aí não é pra levar muito sério não, é só para resumir em poucas palavras o que nós gostamos de fazer. Acho que a banda é um reflexo do que nós somos e nós mudamos o tempo todo, então isso aí daqui há um ano não fará mais o menor sentido.
Dek: Essas foram as palavras que eu encontrei pra, de forma resumida, representar o clima da banda. Por algum motivo obscuro, nossas músicas acabam sempre soando muito dramáticas, quando na verdade nós não somos nada disso no dia-a-dia. Você normalmente não vai nos ver chorando pelos cantos, cortando os pulsos e matando pessoas por aí, posso te garantir isso! [risos]. Então acho engraçado esse constraste e tal.
Sub-Rock: A comnidade da banda no Orkut está atingindo a marca de 8000 membros. Como você explica esse reconhecimento?
Castilho: Bom, acho ótimo que as pessoas gostem da banda. Infelizmente nos últimos dois anos não conseguimos fazer metade do que queriamos. Foram pouquíssimos shows, o cd não saiu, várias pessoas saíram da banda... Mas ainda assim a galera se manteve firme na comunidade e sempre esperando novidades da banda. Pô! Acho foda isso, sério! Eu não teria tanta paciência assim. Felizmente, em breve nosso cd ficará pronto e todas as pessoas poderão ouvir o novo som da banda. Espero que gostem e que a espera tenha valido a pena.
Dek: O que eu acho mais legal dessa comunidade é que ela é grande, mas ainda é mantida por nós mesmos da banda. Algumas bandas, conforme vão ganhando mais repercussão, perdem a paciência e botam alguém pra cuidar dessas mídias: Orkut, Fotolog, MySpace... Com isso acaba perdendo um pouco o contato dos integrantes com a galera que ouve, o que é meio chato. Acho que conforme a galera vê que nós mesmos respondemos no Orkut, com perfis pessoais e não perfis criados pra responder assuntos da banda, eles vão se sentindo mais confortáveis pra continuar entrando na comunidade e trocando uma idéia com a gente, ao invés de entrar em comunidades de banda que só tem uma meia dúzia de promoções, divulgação de show e tal.
Sub-Rock: Falando ainda sobre Orkut, vocês criaram criaram um tópico no fórum da comunidade querendo saber a opinião dos fãs sobre os gritos nas músicas. Por que tomaram essa atitude?
Castilho: A gente quis se vender! Mas ninguém quis nos comprar, então continuamos com os gritos! [risos] Brincadeira, esse foi um tópico criado há muito tempo, e de vez em quando ele volta à tona. Na época desse tópico nós tinhamos o vocalista antigo ainda na banda, e a maioria das músicas "novas" eram gritadas. A gente ficou meio dividido quanto à isso e pedimos opiniões, que não ajudaram em nada, já que a metade gosta de grito e a outra metade não, igualzinhos à nós mesmos [risos]. Aí mandamos um "foda-se"´pra todo mundo e fomos fazer o que achávamos melhor, independente do que as pessoas de fora acham. Mas com a entrada do novo vocalista algumas músicas deixaram de ser berradas e passaram a ser cantadas.
Dek: Eu sou parte da banda que é totalmente a favor de continuar os berros. Já foi até considerado fazer duas versões do cd, uma com gritos e outra sem [risos]. Mas acho que aos poucos conseguimos chegar à um acordo. Deixamos gritos e melodia ao mesmo tempo, um ou outro de fundo [risos].
Sub-Rock: Pela linha de som que vocês fazem, as pessoas acham curioso o fato do Skore ter um tecladista na banda ?
Dek: O Castilho e o Pv se cansaram de ficar pisando em 50 bilhões de pedais de efeitos e decidiram me chamar [risos]
Castilho: Não sei o que as pessoas acham, e também não me importo [risos]. Acho que baixo, guitarra distorcida e bateria ficou pouco pra gente, então procuramos outros instrumentos, efeitos de guitarra, coisas eletrônicas... Mas na verdade poucas pessoas conhecem isso ainda. As músicas que estão na internet não tem nada disso, porque são gravações velhas, de 2005. No MySpace tem uma música ao vivo que é mais recente e já tem um pouco dessas coisas. Mas pra gente foi bem natural. Durante uma época nós já usávamos muitos efeitos de guitarra e se encaixaram perfeitamente com o sintetizador e teclados que usamos hoje.
Sub-Rock: Com tantas mudanças na formação do grupo, em algum momento vocês pensaram que a banda acabaria?
Castilho: Sim, sempre achamos isso. Mas a gente gosta bastante de tocar nossas músicas e de fazer coisas que estão no "cartão de visitas" [risos]. Então não tem por quê acabar com a banda. Quem não estiver satisfeito que saia e dê lugar para alguém mais interessado.
Dek: Isso é muito é comum, o pessoal achar que a banda vai acabar porque a formação mudou. Acho que, se alguma coisa não está funcionando, tem que se consertar justamente pra dar um novo gás a banda. O Engenheiros do Hawaii mudou a formação umas 500 vezes e está aí até hoje. Acho que, enquanto o coração da banda pulsa e continuamos tendo amor por aquilo que a gente faz, a banda não termina.
Sub-Rock: Quando e por que vocês assumiram compor as músicas em português? 
Castilho: Acho que foi em 2002, quando nenhuma banda do
gênero cantava em português, acho que só o Emoponto. E acho que isso se deu porque em 2000 não tinhamos referências de Hard Core em português. As bandas que gostávamos eram gringas e cantavam em inglês, e nós fazíamos o mesmo. Não tinhamos um sonho de sermos Rockstars no Brasil, e na época não tinha nenhum, que eu achasse maneiro. E confesso que, na época, eu achava meio estranho as coisas cantadas em português. Mas com o tempo isso foi mudando, hoje em dia temos referências de Hard Core em português, aí ficou mais fácil assimilar. Acho que depois que o CPM 22 assinou contrato com uma grande gravadora, todo mundo começou a olha diferente para as letras em português, e acho que foi aí que começamos a cantar em português.
Hoje em dia, uma banda que começa, já começa ouvindo coisas em português: CPM 22, NX Zero, Fresno, Forfun... Mas nós éramos acostumados a ouvir Offspring, Green Day, NOFX, Bad Religion, Blink-182...
Dek: Agora estamos seguindo o caminho inverso, inclusive já escrevi versões em inglês de algumas das nossas músicas [risos]. Quem sabe um dia a gente não lança?
Sub-Rock: E sobre o novo cd? Podem adiantar mais novidades para os fãs que estão acompanhando a banda e para as pessoas que querem conhecê-los?
Castilho: O novo cd tá ficando legal, nós tomamos muito cuidado com a produção e gravação dele. São 13 músicas, que contam uma história como se fosse um filme.
Dek: Na comunidade so Skore eu fiz um "diário de gravação" do período que passamos em estúdio, então tem bastante coisa lá sobre a gravação. Fiquei até com medo de ninguém ter saco de ler aquilo lá [risos]. Em relação à história, o máximo que posso adiantar aqui, agora, é que é uma mistura de Romeu e Julieta com brilho eterno de uma mente sem lembranças com qualquer filme de terror que tenha assassinos e fantasmas.
Links
MySpace:
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=33792916
Fotolog:
Comunidade no Orkut:
Crazy Legs
Author: Alex Beserra
Imagine você voltando no tempo, mais precisamente na década de 1950: o vrummmm das motos e os cadillacs que percorrem pelas ruas, no comando dos jovens, com seus topetes e suas jaquetas de couro, o pavor das senhoras idosas e um verdadeiro "hell" para sociedade, era a rebeldia em ascenção! Eles eram, simplesmente, os donos do mundo! "Be Bop A Lula, she's my baby!", "Let's Rock! Everbody, let's Rock!", os gritos de uma nova e eterna geração, eram os primórdios do Rock N' Roll! Uma tradição que ainda prevalece nas mãos de bandas undergrounds, como é possível notar na musicalidade do Crazy Legs.
Formada atualmente por Fábio McCoy (bateria), Sony Rocker (baixo) e Carl Horton (vocal e guitarra), o Crazy Legs é uma banda de Rockabilly, gênero musical dos anos 50, que resgata, ou melhor dizendo, mantém viva essa sonoridade clássica. Começaram a carreira em 1996, o 1° álbum foi lançado em 2001 (Off Society Rules), e depois dele vieram mais quatro, um deles gravado ao vivo (Live To Win - 2002), sem contar com as participações em coletâneas brasileiras e gringas de Rockabilly. O trio é a maior referência do gênero no Brasil, divulgando a cena tanto pelo nosso país quanto fora dele.

Como foram os shows em Goiânia?
Os shows de lá foram bacanas, porque é um lugar que a gente já costuma tocar,de um ano pra cá, e a gente criou um público desde a primeira vez que tocamos, no Goiânia Noise em 2002. Então foi meio que... consolidando o público, porque ficamos alguns anos sem ir pra lá. Mas agora, de um ano pra cá, estamos indo com uma periodicidade doida! Geralmente os shows acontecem no Boishoi (Boishoi Pub), que não é um lugar de tradição "undergorund", mas nós estávamos fazendo lá e uma boa parte da galera do underground, que gosta de Rock, de boa música, comparecia, por ser um lugar bacana.
Chegou a rolar shows gratuitos nessa passagem?
Gratuito que nós fizemos foi só o primeiro Goiânia Noise, mas depois disso... até porque a gente vive de banda, de música. Então não houve nenhum gratuito mesmo. Os últimos foram no dia 29, 30 e 31 numa cidadezinha chamada Inhumas, e depois fizemos mais três, que foram pagos.
Dentre todas as turnês que você fez ao longo da carreira, quais lugares do Brasil dão a impressão de não ter Rock, mas surpreedentemente tem?
Palmas, no Tocantis. Quando fomos pra lá pensamos: "Meu! O que vai ter em Palmas? Um estado novo e uma cidade que não tem nem 18 anos!". Mas chegamos lá, tivemos que fazer duas noites, a primeira foi lotada e a segunda mais ainda. E foi um dos lugares mais bacanas que a gente já tocou, um lugar que nós não esperávamos nada e acabaram sendo grandes shows. Outro lugar que nos surpreendemos foi em Campo Grande.
O Rockabilly é um tipo de música underground, assim como o Hard Core por exemplo, e hoje o Hard Core é a sensação do momento. Qual seria sua reação se o Rockabilly atingisse esse reconhecimento no Brasil? E isso é uma meta pra vocês?
Olha, o Rockabilly é um som que está há cinquenta anos no mais absoluto underground, ele teve a sua popularidade de três anos na década de 50...mas eu não gostaria que a música Rockabilly fosse, não só o Crazy Legs mas também as outras bandas, tipo, "o ritmo do próximo verão", sabe? Sei lá, tipo, Nx Zero e essas coisas assim, sair na rua e ser esculachado pelos outros "Oh, os caras!" [risos], entendeu? Ou senão fazer a abertura da Malhação, sabe? Eu não queria que fosse assim, então está bom do jeito que está.
Pra se ter uma banda de sucesso, a melhor alternativa é fazer algo totalmente diferente, como é o caso do Crazy Legs, ou seguir a moda?
Bom, se você quer sucesso imdediato e fácil, o negócio é você seguir uma moda, uma tendência, um corte de cabelo, aprender a tocar uns acordes , fazer uma letra pegajosa, ter um bom produtor, e não necessariamente ser um bom músico, sabe? Agora, assim, boa música não é sinônimo de ter um bom produtor e uma grande gravadora por trás. Tem que ter força de vontade, persistência, e tem muita gente que faz um som legal com recursos não tão favoráveis. Então você tem que ver o que você quer, fazer o que te agrada e depois por conseqüência agradar aos outros, ou apenas ganhar dinheiro com isso, apenas um trabalho seguindo uma proposta. No nosso caso temos uma proposta, a gente gosta do que a gente faz e é por aí.
Durante a formação do Crazy Legs, foi difícil encontrar músicos que se enquadrassem com o perfil da banda e com a linha de som que vocês fazem?
Nós já trocamos de formação três vezes, e sempre troca de vocalistas. Então a gente sempre mudou a cara da banda. Foi complicado porque no primeiro cd era um vocalista, nos três sucessores é outro, e nesse último compacto que lançamos no ano passado já é outro vocalista. Então é assim, sempre quando se trata de encontrar bons músicos "de Rockabilly" é bem complicado. Nós fizemos testes... que nem no caso do Joe (Joe Marshall, ex-vocalista do Crazy Legs), nós já o conheciamos, já sabiamos do talento e do potencial dele e aí começamos a trabalhar juntos. Com o Carl também houve uma indicação, mas antes havíamos feito testes e foi bem complicado também, não passou ninguém na época. Não que nós somos os melhores do mundo nem nada, mas porque é difícil mesmo encontrar alguém que toque bem Rockabilly e se proponha a fazer isso inteiramente.
Vocês não tem dificuldade com relação à espaço dentro da cena independente. São respeitados por onde passam mesmo quando dividem o palco com bandas totalmente diferentes. Como você explica isso?
Acho que, primeiramente, porque a gente faz um som honesto, de coração, um som que tem alma, entendeu? Inclusive fazemos questão de tocar com outras bandas justamente pra não ficar restrito somente com o Rockabilly envolvido. É Rock N' Roll, é diversão, são três notas, é basico... Não fazemos tanto barulho quanto uma banda de Hard Core, mas a gente consegue agradar pessoas de 8 à 88 anos. Já tocamos em bazar, de senhoras idosas, pra caridade, já tocamos no Hangar 110, já tocamos com banda de Black Metal, e foi a mesma coisa. Em 2002 gravamos com o Hateen e com o Street Bulldogs, que são bandas de Hard Core, e na ocasião tinha mais o público deles, mas nós acabamos ganhando essa galera, na honestidade. Foi devagar, mas nós conseguimos. E a cada dia nós fazemos isso, querendo sair na ceninha do tipo Rockabilly. O negócio é tocar, fazer som pra todo mundo porque isso é o que importa. E divulgar o Rockabilly, que é o som que a gente mais gosta no mundo.
Vocês falam sobre o que nas letras das músicas? Há, também nas letras, essa influência das bandas de Rockabilly dos anos 50?
Também, existe nas letras as influências desses grupos, desses artistas dos anos 50. Mas no geral existe também um pouquinho das nossas experiências de vida, sabe? Tipo, com meninas, com desgostos... então não chega a ser uma coisa do tipo "Emobilly" [risos]. Mas, sei lá, fala da vida, de pessoas que a gente conhece. Lógico que há também aquela temática dos anos 50 e tal, mas nós também não somos americanos pra falar só de Cadillac, de Milk-Shake, de Hamburger, entendeu? Então no geral, é a mesma temática das bandas de Rockabilly, mas a gente procura acrescentar uma pitada à mais, que são as coisas da vida real.
Acaba sendo uma pitada "brasileira"?
Assim... mais ou menos. Nós somos brasileiros, não existe nenhum estrangeiro na banda, então acaba sendo isso. Mas nada relacionado à temática local, digamos assim. Na verdade nós fazemos uma adaptação, até porque o nosso maior público ainda é lá fora, com a cena Rockabilly da Europa, dos EUA, do Japão, então fazemos uma adaptação para os dois públicos.
Todos os trabalhos do Crazy Legs foram produzidos por vocês mesmos, exceto o 'LiveTo Win (2002)'. Vocês gostam dessa liberdade de produzirem os próprios discos?
Sim, a gente prefere isso. Sabemos aonde dói o nosso calo ali, sobre o que fazer, sabemos do nossos timbres, e é uma coisa que um produtor que não está habituado com a nossa sonoridade, o Rockabilly, não vai entender. Então a gente prefere sempre gravar e produzir os nossos próprios discos, todos eles, exceto o ao vivo que você citou. Lógico, sempre quando gravamos tem o técnico que trabalha, que também é nosso amigo, a às vezes ele dá uns pitacos na produção. Mas acredito que 98% é com nós mesmos.
Então existe a dificuldade dos produtores em lidar com o tipo música que vocês fazem?
Total, porque eles seguem uma tendência com o mercado fonográfico atual, o que vai vender e o que não vai. E nós seguimos exatamente na contra-mão dos caras, da onda fonográfica. A gente faz boa música pra quem gosta de boa música, fazemos um som que já existe há 60 anos. Procuramos recriar essas coisas, e os produtores de hoje não tem mais ouvido pra isso. Se fizéssemos um disco com um produtor no comando, seria um produtor americano ou um músico de uma banda de tradição norte-americana, alguém que já esteja habituado a fazer isso. Mas por enquanto nós mesmos levaremos a banda como produtores também.
O nome da banda, Crazy Legs, tem alguma relação com um outro grande nome do Rockabilly. Que relaçao é essa?
É o nome de uma música, de um artista que nós gostamos muito, chamado Gene Vicent, um single dele chamado "Crazy Legs". E esse nome nós escolhemos no quintal da minha casa, quando ensaiávamos lá. Na época, quando iríamos gravar um cd, que por sinal não saiu, tinhamos colocado o nome da banda de Elvis Rocker e o produtor disse: "Olha,vocês precisam trocar de nome, se não vai dar problema!", até que um dia pensamos nesse nome, Crazy Legs, e aí ele permaneceu.
Esse nome, 'Elvis Rocker', ficaria muito "na cara"?
Se a empresa Graceland, que é a empresa que retém os direitos autorais do Elvis Presley ficasse sabendo disso, eles entrariam com um processinho básico.
Comente um pouco sobre o seu projeto paralelo, 'Alex Valenzi & The Hideaway Cats'.
É uma banda que foi formada em Memphis, nos EUA, em 1993. É uma banda de Rock N'Roll anos 50, que também tem influências de R&B anos 50, do Country... a gente faz essa misturada de som nessa linha. O Sony também tem um outro projeto, um som Country, que se chama Hillbilly Combo.
Você também já tocou numa banda chamada 'Jack Jeans', que projeto é esse?
O Sony e eu somos grandes parceiros deles, então quando eles precisam a gente vai lá pra fazer o serviço. E também tem o Carl, que toca no Made In Brazil, ou seja, ele é o guitarrista solo da mais lendária banda de Rock N' Roll brasileira, 40 anos de atividade!
Você parece ser muito fiel ao tipo de música que você faz, mas já surgiu a oportunidade ou a idéia de fazer algo totalmente diferente?
Eu tocava, junto com o Sony também, numa banda de Surf Music chamada Los Tornados, que não é uma coisa muito diferente na verdade, é a mesma linhagem. Nós também fomos integrantes da banda do Kid Vinil por 6 anos, acho que foi a coisa mais diferente que fizemos.
Como surgiu o projeto do selo 'Bad Habits Records'?
Eu sempre tive o sonho de fazer um selo, por ser músico e por ser colecionador de discos, especialmente de vinil, de Rockabilly. Então pra comprar alguns discos que eu não tinha acesso no Brasil, eu tinha que escrever carta pra selos europeus e americanos, entrar em contato com colecionadores de discos pra conseguir comprá-los. Então eu queria fazer uma distribuidora pra, primeiramente, vender cd's de Rockabilly aqui no Brasil por um preço justo, porque a indústria brasileira e o próprio comércio brasileiro de discos nunca foram injustos em relação à preço de vinil, tanto com discos nacionais quanto gringos, sabe? E depois houve a necessidade de fazer o selo, de fazer meus próprios lançamentos. O primeiro lançamento foi o quarto disco do Crazy Legs (Rockabilly Riot - 2004), depois fiz uma compilação com bandas de Rockabilly do mundo todo, que se chama Rockin All Over The Place, que tem o vol. 1 e 2, e agora eu fiz o disco do Hideaway Cats (No Different Than You).
Falando sobre preços de cd's, da atual crise das vendas... Como você lida com a pirataria?
Ela não afeta a minha "clientela", o meu mercado, entendeu? Afeta um pouquinho a partir do momento que aquele garoto entre 13 e 15 anos de idade não tem dinheiro pra comprar disco e a solução é baixar mp3 mesmo. Não tem jeito, certo? A mãe dele é quem vai pagar a Internet, então ele vai baixar arquivos de mp3. Geralmente essa troca de arquivos, que nem SoulSeek ou Emule, serve pra muita gente conhecer os lançamentos, a própria banda, depois ir lá e comprar o disco. Ou seja, serve também como uma divulgação. Porque geralmente quem gosta de Rockabilly, de Punk Rock, de som mais alternativo, não se contenta em ter só mp3. Nós temos aquele "conceito de álbum", no undergorund tem muito disso, o "conceito de álbum". Ou você tem o cd ou o vinil, ou você não tem nada, sabe? Então a galera não que saber quem produziu o disco, quem comprou... Enfim, é mais ou menos por aí.
Voltando ao Crazy Legs, vocês participaram de várias coletâneas, não só do Brasil, mas também do Japão, dos EUA e do México. Qual o reconhecimento que vocês tem fora do Brasil?
No exterior nós não somos uma banda de Rockabilly de grande porte, somos uma banda de médio porte. A gente é bem conhecido na Escandinávia, na Alemanha, na Espanha... em vários países europeus, no leste europeu, no Japão também, e nos EUA a gente já tem um bom público. Somos bem respeitados lá fora e acabamos sendo a única referência, junto com o Hideaway Cats, do que é Rockabilly brasileiro. Nossos discos são bem distribuidos lá fora, e nós só não conseguimos ainda fazer uma boa turnê no exterior. Mas já temos um nome, já temos um bom reconhecimento lá, como uma referência do que é Rockabilly sul-americano.
Sobre os trajes que vocês usam nos shows. Você acha que é um diferencial ou é uma coisa que não importa muito?
Pra mim o visual é tudo, porque ninguém quer ver uma banda de Rockabilly com os caras tocando, por exemplo, com o moletom da Adidas [risos]. Querem ver os caras de topete, bota, sei lá... Se não o Kiss não seria famoso, não é?
Mas então, não atrapalha?
Não, de maneira nenhuma. Pelo contrário, ajuda. Acho que atrapalharia se não existisse o visual.
Você aprendeu a tocar bateria com as mofadas do sofá da sua casa. Pra quem quer aprender a tocar, vale a pena ser auto-didático ou pra ser bom depende muito das aulas?
Eu acho assim, aprender por você é bacana. Mas se você puder ter uma ajuda, pra não passar por problemas que eu passei, durante anos, tentando evoluir e não tinha um ponto de partida, acho que é legal ter aula também. Mas no caso do Rockabilly você vai fazer por você, porque nenhum professor vai te ensinar a tocar Rockabilly, nem Psycobilly, nem nada. Normalmente ensinam a tocar Samba, Jazz e outros ritmos, mas Rockabilly, não.
E pra terminar, como estão os projetos para o futuro do Crazy Legs?
Agora nós estamos entrando no estúdio pra fazer um disco, a partir do mês que vem. Após o lançamento do disco vamos pra Europa fazer uma pequena turnê, uma turnê de promoção do disco. Basicamente esses são os principais projetos que estamos em foco: o disco, a turnê pela Europa, depois tocar bastante e continuar agradando à quem já gosta da gente.
Crazy Legs:
Carl Horton (Vocal / Guitarra)
Fábio McCoy (Bateria)
Sony Rocker (Baixo)
Links:
Crazy Legs
www.crazylegs.com.br
www.myspace.com/crazylegs
Alex Valenzi & The Hideaway Cats
www.alexvalenzi.net
Bad Habits Records
www.badhabitsrecords.com
Hillbilly Combo
www.myspace.com/hillbillycombo
Arquivo 2007: Carnal Desire
Author: Alex Beserra
* Matéria publicada no dia 03/10/2007

Relembrando a coletânea "Sons da Cidade", como foi na época incluirem a música Profissão Peão em um projeto que envolvia a prefeitura de Santos?
O que realmente aconteceu em 1996, quando houve a possibilidade do Carnal lançar o 1° CD e isso acabou não ocorrendo?
Sim, sim... o ano de 1995 foi o melhor ano pro Carnal, vários meios de comunicação começaram a notar a banda, jornais, revistas, TV...e no ano seguinte surgiu a proposta do Chorão do Charlie Brown Jr de lançar o nosso CD, mas por motivos pessoais dele, não rolou.
Todo bom compositor só faz uma música quando sente uma emoção, quando está inspirado para criar, e não à qualquer momento. Estão enganados aqueles que pensam que você nunca sentiu emoção na hora de compor uma letra?
Todas as letras da banda são baseadas em fatos reais, coisas querealmente aconteceram comigo, outras são fatos relativos à sexo. Tenho que estar feliz, alegre e de bem com a vida pra compor!
O Carnal Desire, ao longo de sua história, já mudou várias vezes de formação. Agora, com o futuro lançamento do cd, pode-se dizer que a atual formação está mais unida do que nunca?
As mudanças no Carnal ocorreram por vários motivos diferentes, mastodos contribuiram para o crescimento e formação da banda...Wood, Arthur, Naza e eu...Espero que seja a formação final do Carnal Desire!
Bom, verdadeiras bandas de Hardcore nao tocam em rádios e MTV, tem que ter um pequeno apelo comercial, algo que agrade a mídia.
Com as músicas irreverentes e bem humoradas do Carnal Desire, de alguma forma a banda passa a não ser anarquista ou protestante, características normais de uma banda Punk?
Não levantamos bandeira nenhuma! A vida da gente já é um caos pra ficar cantando letras sobre política, guerras, etc...Queremos diversão! Queremos veras pessoas sorrindo nos nossos shows! E não somos propriamente uma bandaPunk. Somos Crossover, misturamos Metal 80's com HardCore, coisas que escuto há mais de 30 anos!
Como está o andamento de produção do 1° CD da banda? Músicas inéditas,título do cd, a sonoridade da banda... já é possível adiantar alguma coisa para os fãs?
O CD está para ser lançado no máximo até novembro. Produção independente, mas com muita qualidade, 16 músicas... Aguardem, pois o lançamento será em grande estilo! Num programa de TV super conhecido! Mas nomomento está em "off".

Carnal Desire:
Wood - guitarra
Naza - baixo
Tarsus - vocal
Arthur - bateria
Site Oficial:
Arquivo 2007: Rockz
Author: Alex Beserra
*Matéria publicada no dia 22/09/2007
2007: Já se passaram 16 anos da última grande revolução do Rock: o grunge de Seattle. Época em que Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains eram a bola da vez. Era de costume surgir a cada década algo que inovasse e desse uma nova cara ao Rock. Porém as expectativas foram abaixo do esperado, e a década atual vive o pior ciclo já visto na história do Rock, na opinião de muitos.Bandas novas como The Strokes, The Hives ou Franz Ferdinand manteram o espírio do verdadeiro Rock N' Roll. O impacto não foi tão grande em relação à outras épocas, mas essa safra foi considerada a "Salvação do Rock". Já podemos notar no Brasil algumas bandas seguindo para o lado dessa safra: o Moptop, uma das grandes revelações do ano, é um grande exemplo. Outra banda que vem se destacando e percorre por esse caminho é o Rockz.


Qual a origem do nome da banda, Rockz?



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